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Indústria 4.0: 10 razões que apontam para o fim dos softwares nativos para desktops e servidores.

Intimamente ligados à Indústria 4.0, estão os sistemas desenvolvidos para rodar em nuvem. As razões são amplas e serão discutidas agora. Obviamente existem mais motivos do que as listadas aqui, bem como algumas objeções, especialmente em setores mais complexos como sistemas de ERP e software de automação, muitos embarcados. Contudo essas últimas tendem a reduzir, uma vez que a tecnologia continua avançando rapidamente e as aplicações em nuvem já ganharam maturidade. Mas antes de começar, tenha em mente que um sistema estar em um servidor em nuvem não significa que ele possa ser considerado cloud computing. Aqui falaremos, portanto, apenas sobre soluções 100% desenvolvidas para esse fim. Então, sem esperar muito, vamos às 10 razões que nos fazem ver o fim delas, começando pela principal:
 
# 1 Futuro da Tecnologia e RH
Toda a energia dos principais fornecedores (Google, Microsoft, Amazon, Facebook, IBM) , assim como das mais vibrantes empresas de software, sejam elas startups ou importantes players de diversos segmentos, estão 100% focadas em desenvolvimento em nuvem. A tecnologia para desenvolvimento de aplicativos para Windows, Linux ou Apple está estagnada há alguns anos. Podemos afirmar que, hoje, os melhores profissionais e quase todos aqueles que entram no mercado, não têm o menor interesse em desenvolver ou trabalhar em sistemas que não estejam de uma forma ou outra, conectados a nuvem. Para se ter uma ideia, atualmente apenas 17% dos desenvolvedores tem interesse em sistemas desktop ou Enterprise e esse número vem decrescendo. Como empresas e sistemas não podem ser desassociados de seus recursos humanos, pode-se concluir facilmente que os serviços de suporte, bem como o desenvolvimento irão degradar cada vez mais, até se tornarem inviáveis de se manter, como ocorreu com os antigos mainframes.
 
# 2 Tecnologia
A tecnologia ligada a nuvem está em franco desenvolvimento, ao contrário das aplicações para Linux e Windows. A evolução é alta e surgem cada vez mais oportunidades de uso e integração. Além disso, novos desenvolvimentos em frameworks e tecnologias como machine learning, aumento de escalabilidade e a segurança de dados impulsionam ainda mais as empresas. Outro importante fator, a ser sempre considerado, são as interfaces gráficas. Elas estão cada vez mais intuitivas e com uma ergonomia muito mais bem pensada. Isso, sem dúvida alguma, aumenta a produtividade e o engajamento dos usuários. Nos antigos sistemas, podemos afirmar, sem hesitar, que não existe mais espaço para melhoria. Logo a tendência é que as empresas que não de adaptarem irão desaparecer ou permaneçam em nichos muito específicos.
 
# 3 Pensamento ágil
Os sistemas SaaS são criados de maneira ágil. As equipes trabalham de forma muito diferente das antigas equipes de desenvolvimento. Entregas de versões, ou de melhoria, são muito mais rápidas. Nesse ponto, devemos chamar a atenção para o paradoxo da qualidade. Muitos pensariam que se as empresas entregam muitas melhorias rapidamente, a qualidade deveria baixar. Mas é exatamente o contrário que ocorre. A mesma só aumenta. Como isso é possível? A resposta é que isso se deve a revolução do processo de trabalho, em menor grau as ferramentas e principalmente no método de colocação da aplicação em produção – deployment – utilizado. E isso só é possível em aplicações SaaS. Portanto, uma nova mentalidade tomou conta das empresas de desenvolvimento e o fator fundamental é que aplicações desenvolvidas em nuvem são criadas para ter melhoria incremental, muitas vezes em ciclos semanais ou quinzenais. Pequenas evoluções que pouco colocam em risco o sistema, ou mesmo que cause algum problema. Elas podem ser rapidamente corrigidas ou ter seu ciclo revertido instantaneamente. E o que é melhor, elas aumentam continuamente a experiência dos usuário e eliminam bugs de uma maneira muito mais rápida. Contudo, para sistema nativo, normalmente, em poucos anos, o inverso ocorre. Eles se tornam sempre um problema, uma verdadeira bomba relógio. Apenas para exemplificar a SAP irá remover de suporte todas as antigas versões em 2025. Isso terá um custo gigantesco para o mercado.
 
#4 Mobilidade
Em um mundo cada vez mais veloz, onde decisões precisam ser tomadas em questões de minutos e não mais em dias, não faz mais sentido estar ancorado a um computador, estacionado em uma mesa, dentro de uma empresa. Portanto, os sistema devem prover mobilidade e serem responsíveis, i.e., eles devem rodar em qualquer dispositivo que esteja a mão do usuário. Mesmo tentando fugir do cliché relacionado à pandemia, não teria como, pois esse foi somente mais um fator a colocar uma pá de cal nesses antigos sistemas baseados em desktops. Não vou abordar aqui os aspectos de segurança, mas queria lembrar que criar VPNs, comprar licenças e controlar usuários, não apenas aumenta custo como também expõe a rede da empresa a riscos de ataques. Quem garante que a rede doméstica está segura.
 

 

 
# 5 Integração
A migração para sistemas em nuvem praticamente determinou um novo formato de comunicação entre sistemas. Interface REST, com mensagens em formato JSON, com autenticação por tokens e protocolo HTTPS tornam a mensageria muito mais segura e confiável. Todos os sistemas em nuvem, não importa se ele seja o WhatsApp, um CRM, como Pipedrive ou um sistema de helpdesk como Zendesk, se comunicam dessa forma. Assim sendo, não há mais necessidade de criar regras de firewall, abrir portas e expor a rede à insegurança. Além disso, não ter mais arquivos físicos de Texto ou xml, bem como acesso direto ao banco deixam de ser necessários. Logo, são muito mais seguros e fáceis de se implementar. Já pensou na quantidade de informação que está absolutamente visível em um simples arquivo txt?
 
# 6 Escalabilidade
Agora vem outro problema. Os investimento em servidores, memória e storage são sempre mal dimensionados. Na maioria das vezes superdimensionados e consequentemente levam a custos incrivelmente elevados. Apesar disso, evoluem rapidamente para um nível de sucata. Ainda, por melhores que sejam, em caso de um gargalo, não há o que fazer. Tem que esperar desafogar o processamento para continuar. E o pior, na maior parte do tempo, paga-se por uma inatividade. É como ter uma máquina para atender um cliente que de vez em quando manda pedidos. E o pior, ele quando manda, é sempre para agora! Os sistemas em nuvem, ao contrário, se auto escalam e possuem recursos computacionais avançados, como de telemetria e supervisão. Eles são muito superiores no quesito administração. Nenhuma empresa não especialista em administração de servidores, mesmo que de grande porte, tem condição de competir com esse nível de SLA. Podemos dizer que seria como se um grupo muito grande de empresas comprasse um número também muito grande de recursos e compartilhassem seu uso. A eficiência é então devida a forma com que se trata os picos e vales de demanda. A capacidade de se colocar mais recurso dentro do dia, de acordo com a demanda é algo que somente a nuvem é capaz. Imagine que sem investimento em hardware e software, as empresas de SaaS conseguem efetuar upgrades instantâneo para desafogar algum processo crítico. Dessa forma, não temos como não afirmar que o investimento em servidores internos, provavelmente está fadado a desaparecer em breve, talvez ainda mais rápido do que o de software vendidos por licença.
 
 
# 7 Manutenção e Atualização
Instalar um sistema, customizá-lo ao infinito e no primeiro release do fornecedor, ou mesmo do sistema operacional, parar de funcionar é algo bastante comum. Quem sabe uma política de segurança pare o sistema. Quantas histórias como essa conhecemos? Sabemos, ainda, que é uma tortura a aplicação de correções tanto por parte das empresas como dos fornecedores. Podendo transferir toda essa responsabilidade para um terceiro, que conhece muito mais sobre o funcionamento da aplicação e que não têm o risco de controlar centenas ou milhares de instalações, mas sim uma única, é muito menos arriscado. Isso é algo que deveria ser muito pesado no momento da decisão. Imagine-se no futuro próximo, nessa situação, e tome sua decisão.
 

 

 
# 8 Customer Success
Sistemas desenvolvidos para SaaS dependem da sua recorrência, i.e., pagamento mensal. Cancelamentos, ou Churns, são indicadores extremamente negativos para o fornecedores e eles nesse caso estão do lado mais fraco da equação. Não existe um vínculo profundo no sentido cliente para fornecedor, mas o inverso é verdadeiro. Logo o suporte torna-se uma parte extremamente importante do serviço prestado por eles. Aqui, o verdadeiro significado de Customer Success surge. Ainda é importante ressaltar que nesse ambiente, as metodologias de suporte, treinamentos e documentação são incrivelmente facilitados e o risco de falha é milhares de vezes inferior a de uma aplicação on premise. E mesmo que ela aconteça. seu custo será ínfimo. Basta reclamar!
Nesse ponto, gostaria de recomendar a leitura do seguinte artigo, que expõe de maneira didática as diferença entre a forma de suporte, interação e a agilidade na solução de problemas entre essas suas visões.
 
 
#9 Segurança da Informação
Esse parece ser o aspecto menos óbvio, apesar de que deveria ser muito claro para todos. Explico, para esclarecer. Por isso gostaria de lembrar que diariamente tomamos conhecimento de inúmeros ataques às empresas, muitas agora de manufatura. Esses ataques podem vir de um meio externo, como portas abertas. Mas, elas entram, normalmente, por meios mais óbvios como e-mails, pen-drives ou sistemas operacionais desatualizados ao clicar em uma página de internet maliciosa. Sabemos que capturas de servidores por ransomware são comuns e seu custo de resolução é alto. Um ataque desses pode eliminar dias de dados e mesmo parar uma empresa por semanas, mesmo em áreas da empresa que não foram invadidos. Transferir para um grande player de nuvem como Amazon, Microsoft ou Oracle implica também em transferir para eles a administração da segurança. Sendo direto, eles são muito melhores do que qualquer empresa, inclusive de grande porte, poderia tentar ser. Aplicações de patches de segurança no tempo zero, ferramentas de detecção de intrusão, backup e restore executados de forma eficiente, profissional e com a garantia deles, são inequivocamente a melhor opção. Compare as notícias sobre ataques a sistemas internos das empresas contra ataques bem sucedidos às grandes fornecedoras de nuvem. A balança pende claramente e favoravelmente para essa última. Por último, devemos ter em mente que sistemas on premise foram desenvolvidos tendo um nível baixo de segurança . Eles foram pensados para estar em ambiente interno. O problema é que uma vulnerabilidade da rede, torna o sistema público, e eles com características e preocupações mínimas de segurança podem expor a rede e os servidores a riscos. Pense sobre quantos pontos de vulnerabilidade esse sistema pode possuir. E seus drivers e bibliotecas usadas? Estão atualizados? Qual é escopo de ataque que esses problemas podem produzir? Quanto tempo o hacker esperou e quanto controle ele tem sobre a rede, antes de anunciar o ataque?
 
 
Fonte: https://www.hackmageddon.com/2018/10/11/september-2018-cyber-attacks-statistics/
 
 
 
#10 Custo
O custo total, considerando aquisição de hardware e de licenças, bem como esforço de atualização e o uso da mão de obra da TI alocada já podem tornar a decisão de migrar para soluções SaaS a melhor alternativa. Somando-se a isso, os novos sensores que são capazes de enviar dados diretamente para nuvem, sistemas MES, que conseguem eliminar a camada de sistemas supervisórios, baixam a complexidade da estrutura (eliminando as camadas 1 e 2) e consequentemente seus custos. Portanto, esse é o aspecto mais significativo da indústria 4.0, custo e complexidade reduzidos. Hoje esses custos já podem ser definidos como de apenas 1% (isso mesmo!) dos custos dos sistemas oriundos da Indústria 3.0.
 
Fonte: BR&L Consulting
Contudo, temos que chamar a atenção para mais um importante fator. É o custo do risco. Investir em licenças e em hardware para depois descobrir que não funciona é um risco que deve ser colocado de forma quantitativa na análise financeira. O próprio licenciamento é confuso. Quem nunca se deparou com dúvidas sobre se empresa está devidamente licenciada. Logo, nunca negligencie isso, pois, muito mais importante dos que os custos visíveis, são os invisíveis. E eles são a maior parte.
 
Fonte: https://pro.regiondo.com/saas-vs-on-premise/
 
 
Conclusão
O mercado e a tecnologia relativa a nuvem já se provaram extremamente competentes para executar tarefas críticas. Pense nos em servidores de e-mail próprios contra os serviços públicos como Microsoft Outlook ou Gmail. Pense na diferença entre o esforço gasto para gerir esses dois mundos. Portanto, não precisa gastar muito tempo para concluir que as soluções on premise já correm desenfreadamente para o precipício. E essas razões que listei são evidentemente as que levaram a Indústria 4.0 a ter como um dos seus alicerces a computação em nuvem. Portanto não se engane, aplicações on premise onde quer que elas estejam, são a indústria 3.0, e seu fim está obviamente próximo. Não devemos esperar grandes novidades nessa área a não ser a degradação cada vez mais rápida e significativa. As poucas vantagens elencadas no passado já não existem ou são apenas desculpas de fornecedores ainda inertes. Atualmente apenas a dificuldade de migração dos sistemas mais pesados, como ERPs ainda se nota, mas muitos dos fornecedores já estão trabalhando na sua portabilidade. Lembre-se que o SalesForce e o NetSuite estão provando seu valor há anos. Portanto, fornecedores que ainda não começaram esse processo, deveriam ser vistos com extrema ressalva e desconfiança com relação a capacidade de se manterem e inovarem, pois estão apostando em um mundo do passado. Enfim, muitas novidades ainda virão e já sabemos de onde, ou melhor, de onde que não ocorrerão.
Referência: https://insights.stackoverflow.com/survey/2018